28 de maio de 2008

Lembranças de Lisboa

Divertido | 4 Comentários »
por Ricardo José Corrêa

Ah… como os sentidos conseguem nos levar às lembranças e sensações longínquas que, se não por eles, se perderiam nas espessas nuvens do tempo e da memória.

Por vezes, vejo-me embriagado por um perfume que, subitamente, me transporta a lugares e pessoas de algum passado remoto.

O que dizer sobre as músicas então? Inesperadamente, uma nota qualquer pode nos levar às lembranças maravilhosas, filmes mentais exibidos exclusivamente, saboreados como uma grande e deliciosa iguaria…
Aliás, lembro-me de um sabor bem específico que experimentei há muitos e muitos anos, no velho continente, quando visitei Lisboa.

Foram tempos maravilhosos, quando me remoto às lembranças, sinto que posso sentir o cheiro da terra molhada sob meus pés, a brisa suave batendo em meu rosto e, principalmente, algo que marcou muito: um bolinho de bacalhau feito sempre fresquinho, num boteco que ficava em baixo do hotel onde me hospedava. Um sabor sublime, um bacalhau que desmanchava na boca, sua massa tão crocante, o tempero do recheio que não pode ser explicado por palavras, hummmm. Tudo era perfeito.

Voltei para o Brasil, e as coisas não caminharam como eu gostaria, algumas de minhas aplicações foram por água abaixo. Minha pequena fábrica de pneus também passou por grandes problemas e a perdi, como tudo que eu tinha de valor.

Recomecei do zero, porém, as lembranças de quando vivia uma vida farta, repleta de satisfações, me davam fôlego para levantar.

Obriguei-me a uma meta: voltar a Lisboa e comer aquele maravilhoso bolinho de bacalhau, que representava uma era da minha vida de fartura. Era questão de honra.
Comecei a estudar internet e, por 10 longos anos, trabalhei a finco para poder ter a vida de outrora.
Finalmente, depois de muito suor, consegui voltar a Portugal. Que país maravilhoso! Suas praias, vielas, avenidas largas. Suas casas pomposas, seus palácios e seus casebres do século passado. Todas as lembranças de uma época sublime estavam de volta bem ali, na minha frente.

Segurei a ansiedade e caminhei lentamente até o mesmo hotel em que havia me hospedado na primeira vez. Estava diferente, reformado, as paredes passavam um certo ar da modernidade, mas ainda mantinha aquele mesmo aconchego. Desmanchei minhas malas, tomei um banho e me preparei para o grande momento: finalmente comeria o tão sonhado bolinho e brindaria minha volta por cima.

Desci as escadas e o mesmo balconista mal humorado estava lá. Quase não pude conter o entusiasmo, senti vontade de beijar-lhe o bigodão. Sentei-me e pedi:

Por gentileza, um bolinho de bacalhau.

Perdão senhoire, mas não estamos mais a vendeire o salgado, meu irmão, que vivia a preparar tais bolinho morreu-se e paramos de vendeire desde então – disse o bigodudo.

Então, por favor, me de uma xícara de café – e voltei ao Brasil.

Leia também:

  1. Corretior ortiografico do Seu Creysson

Você pode deixar um comentário, ou trackback de seu próprio site.

4 comentários para “Lembranças de Lisboa”

  1. Juão França falou:

    Sacanagem hein, meu amigo.
    Pois saiba que na Lapa (Lapa de São Paulo) tem um bolinho de café (!) numa ruela próxima a Faustolo. (Depois lhe dou o nome certinho).
    Como vê, a vida é assim. Sempre uma surpresa e, claro, ao gosto do freguês.
    Grande abraço, brother.

    Juão

  2. Bia falou:

    Pois éh, surpresas e imprevistos…. faz parte, mas pelo menos valeu o café.. ahahhahaha

  3. Cih falou:

    Mintiiiirosu huahsuHUAHSshuhsaHUASHUhusah

  4. Thoto falou:

    Po! Pelo menos voce aproveitou o Free Shop e comprou umas bugigangas!

Deixe um comentário